Aquela menina já olhara para o relógio mais de três vezes, em menos de cinco minutos. Sua expressão facial denunciava preocupação e seus gestos inquietos revelavam um desespero interno, que se transmitia em toda a sua fisionomia exterior.O relógio da igreja bateu 20 horas. Marcos, sentado no banco da praça, observava atentamente a garota de cabelos louros e de roupa escura. Era uma moça bonita e trazia consigo uma postura elegante.
Ela levantou-se, mais uma vez, e caminhou de um lado para o outro. Depois de algum tempo, voltou a sentar-se e cruzou as pernas.
O banco em que Marcos havia sentado ficava ao lado do que a moça se encontrava. E ele a lhe observar, e a analisar toda a sua impaciência.
O telefone toca e a moça atende. Conversa baixo, mas a sua voz dá para ser ouvida. Marcos esforça-se para escutar alguma coisa. Dois rapazes passam por perto, brincando e conversando alto. Marcos tem um súbito ódio dos garotos. A passagem deles o impossibilitou de satisfazer a sua curiosidade.
A moça guarda o celular e volta a sentar. Retira a jaqueta preta que veste, dobra-a e a coloca sobre as pernas. Marcos olhou para os ombros da moça, para o decote de sua camiseta, para o princípio dos seios que estava à mostra. Tudo muito bonito. A cor branca da garota o fez lembrar um copo de leite. E sentiu vontade de tocá-la, de acariciá-la, e de beijá-la.
Foi com uma certa excitação no corpo que Marcos presenciou a chegada do carro preto. Era um carro de luxo e misterioso. O insulfilm presente no vidro não o permitiu ver a fisionomia de quem estava dirigindo.
Seu olhar paralisou. Naquele momento, não fez nenhum gesto, por menor que fosse, para não perder nenhum detalhe da cena que se passava à sua frente.
Num curto intervalo de tempo, a garota colocou a jaqueta, abriu a porta do carro e entrou. Marcos acompanhou todos os seus movimentos, e depois insistiu em observar os movimentos do carro, até dobrar a esquina e seguir o seu destino desconhecido.
No lado oposto da praça, tinha uma garota morena que conversava com um rapaz também moreno, talvez de sua idade. Marcos decidiu ir para lá. Sentou-se no banco próximo.
O casal conversava de mãos dadas e parecia tranqüilo e feliz. Marcos observava a tez da garota, os olhos, a boca. Uma menina bonita.
O casal conversava baixinho, mas a voz chegava até o banco de Marcos.
Ele esforçou-se para ouvir...
Autor: Nonato Costa

Um comentário:
Bem legal Nonato,
esta muito bem elaborado...
vc desperta até a coriosidade do leitor...
ta show!!
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